Rio 2016 - o favoritismo brasileiro, 'Barack
Rambo' e relações políticas
por Daniel Xavier
de Atlanta, EUA
Barack Obama embarcou no Air Force One para
Copenhague já conformado com a vitória brasileira. É verdade que acreditava que
sua estrela – e só ela – poderia surpreender o favoritismo do Brasil mas Obama
não é bobo. Ele não lê os jornais brasileiros. Está ciente da importância
exponencial que a nossa banana republic assumiu na nova ordem mundial que toma
forma neste momento. Sorry, periferia, o Brasil é vanguarda da política
mundial. E política pesa nas decisões do COI, vide as olimpíadas na China.
Obama também estava consciente de outra
qualidade da candidatura do Rio: o carisma do nosso povo. E isso ele conhece na
pele - um grande brother seu é brasileiro. Presidente do Brasil, mais
precisamente. Inclusive, foi esse brother quem botou pilha para o Obama dar uma
passada em Copenhague.
O presidente americano não ia, à princípio, e
sua ausência seria totalmente justificada. Ele está como o Stallone em Rambo
II, mergulhado em merda de porco até o nariz. Tem só a crise econômica
internacional, a paz mundial e a sobrevivência da espécie humana sob sua
responsabilidade. Além disso, nenhum presidente americano nunca se deu ao
trabalho de ir à uma votação do COI e, ainda assim, os EUA já realizaram os
jogos quatro vezes – uma delas aqui em Atlanta. A América do Sul nunca teve
vez.
Quer
mais motivos para que Obama não tivesse
feito a viagem? Quase metade dos moradores de Chicago não queriam os jogos lá:
acham que os EUA estão com problemas maiores para se preocupar. Mais um: a
cidade, violenta para os padrões norte-americanos, foi manchete a semana toda
com um vídeo onde um jovem é espancado até a morte – e violência era um dos
quesitos que poderia derrubar o Rio.
Mesmo assim, Obama foi para Copenhague. Foi
porque se ele vai, criticam; se ele não vai, criticam também. Foi porque devia
este esforço à Chicago, seu berço político, que tanto o apoiou. Foi porque
seria o único chefe de estado ausente na cerimônia, como o pai que não vai à
competição do filho – e Obama é um excelente pai. Foi porque tem espírito esportivo.
Entrou em campo como a seleção americana de
futebol quando enfrenta o Brasil: esperançoso por uma surpresa mas consciente
da superioridade canarinha. O que ninguém esperava, porém, foi a eliminação já
na primeira rodada. Isso sim foi chocante para os americanos. Obama fazia o vôo
de volta quando recebeu a notícia. E, então, eram dois todo-poderosos no céu
torcendo para o Brasil.